Noites soterradas do oeste e o quê aprendemos com elas

 24/08/2025 00:12


Boa noite, sei lá porque que eu tô escrevendo isso... De vez em quando me dá umas piras de criar algo do nada, sempre foi assim... Mas nunca souberam dizer se essa vontade de tirar algo da minha cabeça de tempos em tempos é um "presente de Deus" ou apenas consequências das minhas neuro divergências, enfim...

Amanhã vai rolar o primeiro ensaio da minha nova banda, depois de tantos contratempos como ressaca minha e do guitarrista após uma longa noite de bebedeiras na rua Cardeal Arcoverde, onde estão habitadas as famosas noitadas underground da cidade da garoa, eu tenho várias histórias de lá, desde o Picles ao Morrisson, Pinheiros tem uma vibe, por algum motivo... 

Esse ano passei por algumas experiências que me desenvolveram como personagem, como se eu estivesse no olho do furacão do  clímax de algo maior, passei por relacionamentos desastrosos, passei por uma cirurgia, meu pai foi demitido do emprego, perdi alguns amigos, seja metaforicamente ou fisicamente, e por fim, reprovei no meu Trabalho de conclusão de Curso da faculdade, o qual dediquei toda minha saúde mental, e como punição por confiar em mim mesmo: tive Burnout, atrasei minha vida em 6 meses, fiquei sozinho em uma sala cheia de estranhos, virei fumante, me afastei da maioria do meu ciclo social, comecei a ter astigmatismo por não conseguir me cuidar no pós cirúrgico e ainda de tabela aprendi que sou apenas uma engrenagem inútil em uma grande maquina de canhões...

Algumas semanas atrás fui para Pinheiros afogar as mágoas no show da banda do meu amigo, que conheci na internet após dar match com a garota que ele estava conversando, e que posteriormente iniciaram um relacionamento... No fim do show, o bar fechou e eu fiquei sentado na rua junto do meu amigo e o vocalista de sua banda, compramos um vinho barato e enchemos a cara por horas enquanto tínhamos devaneios sobre o passado, presente e futuro, junto de nós, se aproximou um homem de meia idade, barbudo, com um copo de chope barato. Ele estava na plateia da banda que tocou antes da banda deles, que por acaso era uma banda formada em uma clinica psiquiátrica, a qual o velho esquizofrênico devidamente alcoolizado contou que esteve internado, e se tornou fã dessa banda lá, eles são como o The Cramps brasileiro.

Após uma longa noite fomos parar no Porta Maldita, onde o Barba nos comprou duas latas de cerveja e disse que havia simpatizado conosco, e que nunca deveríamos deixar de tocar música, e ao amanhecer ele misteriosamente sumiu, sem dizer seu nome, apenas que era taxista, morava na Lapa e esteve no show do Nirvana há 3 décadas atrás, show esse em que Kurt Cobain mostrou seu pênis para o público, enfim, ao escrever sobre essa noite, sinto que poderia ficar horas falando sobre meus hiperfocos, como se eu me resumisse apenas a eles... Voltando a noite maldita, em certo momento o velho disse que já foi viciado em cocaína, mas conseguiu se reabilitar, e que o gatilho para isso foi ele perceber que ele é um homem, e não um rato, e que no fim de tudo é isso que precisamos pensar sempre que quisermos mudar algo em nossas malditas vidas, ele gritou "VOCÊ É UM HOMEM? OU UM RATO?!" com os olhos arregalados, olhando no fundo na minha alma enquanto me segurava em uma placa de trânsito, essas palavras ecoaram na minha mente por uns bons meses.

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